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quarta-feira, 15 de maio de 2013

O QUE SÃO GALÁXIAS?

Oi, turma!

Até o início do século XX nós não tínhamos boa visualização nem técnicas que nos dessem certeza sobre a existência das galáxias. Alguns grandes nomes da astronomia, como o filósofo Imanuel Kant, usavam o termo "universos ilhas" para se referir a estes objetos quando ainda eram considerados uma hipótese.

Com o avanço dos grandes telescópios, pudemos perceber que o universo observável está repleto de galáxias, um número imensurável delas, e o astrônomo Edwin Hubble (1889-1953) então criou uma classificação primária para elas. 

O astrônomo Edwin Hubble classificou os principais tipos de galáxias de acordo com sua forma aparente. As mais comuns são as galáxias do tipo elíptica, espiral e espiral barrada.

As galáxias elípticas são subdivididas de acordo com sua excentricidade. Algumas são menos excêntricas, apresentando forma quase esférica, enquanto outras possuem formato elíptico bem acentuado.

Esta foto, obtida pelo Observatório Anglo-Australiano, mostra uma famosa galáxia do tipo elíptica, chamada M87. Sua forma é quase esférica, e seu diâmetro é superior ao da Via Láctea.

A nossa galáxia possui duas galáxias satélites menores, que podem ser vistas a olho nu sob condições de boa visibilidade. São as chamadas "Nuvens de Magalhães", em homenagem ao grande navegador português Fernão de Magalhães, que comandou a primeira circunavegação da Terra, realizada entre os anos de 1519 e 1522, e observou-as no céu. São galáxias do tipo irregular, ou seja, não possuem uma forma definida.

Grande Nuvem de Magalhães. Galáxia do tipo irregular, satélite da Via Láctea, pode ser vista a olho nu sob condições de boa visibilidade, entre as constelações Mensa e Dorado. Foto: Eckhard Slawik
 
Pequena Nuvem de Magalhães, galáxia tipo irregular, também visível a olho nu desde a Terra, sob condições favoráveis, entre as constelações austrais Tucana e Hydrus. Foto: David Mallin.

Nenhum ser humano teve a oportunidade de sair da Via Láctea, para poder observá-la de fora e ter certeza de sua forma, mas os astrônomos acreditam atualmente que nossa galáxia seja do tipo espiral barrada. As galáxias do tipo espiral barrada possuem bojo, e braços concêntricos, como as espirais comuns, entretanto, as barradas se diferenciam por possuirem um inesperado e curioso alongamento, ou barra, atravessando o bojo. 

Ilustração do atual modelo comumente aceito para nossa Galáxia. Os astrônomos acreditam que se a Via Láctea fosse vista a uma determinada distância, apresentaria a forma acima. NASA

O nosso Sol é uma das bilhões de estrelas que formam a galáxia da Via Láctea. Existem inúmeras estrelas da mesma classe espectral que o Sol, na Via Láctea. O Sol é uma estrela de tipo comum, e o que o torna especial para nós é ser a "nossa estrela mãe", o nosso lar e o nosso endereço na galáxia da Via Láctea.

O Sol, nossa estrela mãe, situa-se a cerca de 35 mil anos luz do centro da Via Láctea, e a cerca de 15 mil anos luz da periferia. É o nosso endereço na galáxia da Via Láctea. Imagem: Revista FAPESP.
 

Uma de nossas vizinhas é a galáxia de Andrômeda. Na imagem abaixo, podemos observar que o bojo galáctico, no centro, é sua região mais luminosa e massiva, e todas as estrelas que estão ao redor orbitam em torno deste centro luminoso.

A galáxia de Andrômeda (M31) é uma galáxia do tipo espiral, vizinha da Via Láctea. Andrômeda pode ser vista a olho nu, em condições de boa visibilidade, como uma tênue mancha esbranquiçada, localizada na constelação de Andrômeda (mesmo nome), que fica na região norte do céu, vizinha da constelação do Pégasus. NASA

Outra galáxia famosa, reconhecida por sua beleza, é a galáxia do Sombrero, considerada entre as mais belas.

Galáxia do Sombrero (M104) NASA
 
Cada galáxia é formada por bilhões de estrelas, que orbitam gravitacionalmente em torno do bojo galáctico (centro da galáxia). Veja a seguir a imagem de uma galáxia espiral vista de frente, e um mesmo tipo de galáxia espiral, vista de perfil. 

Galáxia M51, tipo espiral, vista de frente. NASA

Galáxia NGC 4565, tipo espiral, visualizada de perfil. Note o bojo central luminoso. NASA

Nesta imagem em campo profundo, obtida pelo Telescópio Espacial Hubble, estão registradas milhares de galáxias, de diferentes formas e a diferentes distâncias. 


Cada ponto luminoso da imagem acima é uma galáxia, e, por tanto, representa um conjunto de bilhões de estrelas, de todas as classes espectrais. Cada estrela compõe um sistema estelar. O que chamamos de Sistema Solar é, na verdade, o único sistema estelar que conhecemos relativamente bem. Muitos sistemas estelares podem ter características parecidas com o nosso, enquanto outros certamente serão bem diferentes. 


O atual modelo cosmológico, sugere que o universo observável, se pudesse ser visualizado em uma determinada escala de tamanho, teria um aspecto semelhante ao da ilustração acima, aonde, cada microponto de luz representa um conjunto de galáxias. As galáxias parecem formar conglomerados de galáxias, ligados a outros conglomerados e superconglomerados por filamentos de galáxias, aparentando em conjunto uma grande rede neural. Simulação do Millenium, Instituto Max Planck.


Bem... Esse assunto merece mais atenção e voltaremos a ele em nossa próxima aula de campo, no Planetário, quando faremos uma viagem virtual para fora da nossa Galáxia e teremos mais oportunidade de abordar o assunto.

Abraço a todos!
Fernando







3 comentários:

  1. Muito interessante o nosso modelo
    de Univero. Mas já há físicos, como Brian Greene, que defendem a ideia
    de Multiverso, onde ao invés de haver só um, existem infinitos. E se são
    infinitos, em algun existe uma cópia perfeita de nós!

    abraços

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    1. Olá, Aurélio!
      Quando a ideia de que haviam "universos ilhas" pôde ser comprovada, no início do século 20, os astrônomos tiveram que buscar um nome para estes objetos, que passaram a ser chamados de Galáxias (do grego "círculo leitoso"), pois o termo "universos ilhas" não era adequado. Por definição, a palavra Universo, em astronomia, representa o conjunto de "tudo" o que existe. Por tanto, segundo esse conceito, não pode haver mais de um Universo. Se pensarmos em dois ou mais "universos paralelos", na verdade, estamos falando de elementos que, em conjunto formam "o" Universo. Da mesma forma, quando você ouve falar de teorias que apontam para "multiversos", é preciso entender que estamos falando em dimensões distintas e hipotéticas, de um mesmo Universo. É uma questão de semântica, mas precisamos estar atentos. No momento, deixaremos essas teorias mais complexas para os especialistas, pois eles próprios ainda precisam desenvolver e compreender tais teorias, e vamos nos ater ao modelo construído a partir do que podemos observar, perceber e compreender nesse momento.
      Existe uma discussão muito interessante entre de Eistein e Tagore (um filósofo indiano), onde ambos abordam o assunto com muita propriedade. Transcreverei esse debate em nosso blog em outro momento. Agradeço sua participação!
      Abraço
      Fernando

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  2. Galáxias são linda heim! Não importa a forma como ela é.
    Daqui da Terra vemos elas tão pequeninas, assim como todos os astros do Universo e na verdade são anos-luz de tamanho... Gigantescos!
    As vezes fico imaginando como seria ver a nossa galáxia através de outra. Creio que além da Via Láctea, outras galáxias podem ter vida e inteligente como a nossa. Quem sabe um dia saberemos.

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